A eficácia da suplementação probiótica contendo lactobacillus em pacientes em hemodiálise: um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade em pacientes com doença renal em estágio terminal em hemodiálise. Estudos epidemiológicos revelaram que fatores de risco tradicionais, como idade avançada, tabagismo, dislipidemia, hipertensão e diabetes mellitus, são comuns em pacientes com doença renal crônica (DRC), mas não podem explicar por completo a extensão e gravidade das complicações cardiovasculares. Somam-se evidências apoiando o papel da inflamação persistente de baixo grau na patogênese da aterosclerose e da perda energética proveniente de proteínas em pacientes com DRC. As causas da inflamação na DRC são multifatoriais: diversos fatores podem estar envolvidos no desencadeamento de processos inflamatórios, como estresse oxidativo, acidose, sobrecarga de volume, comorbidades, infecções, diálise, disbiose e toxinas urêmicas. Várias associações patogênicas resultantes de alterações quantitativas e qualitativas da microbiota intestinal já foram descritas, com a administração de preparações probióticas para alguns grupos de pacientes, como aqueles com cirrose e doença inflamatória crônica, resultando em modulação da flora intestinal.

Um ensaio clínico randomizado, duplo cego, controlado por placebo com 56 pacientes com idade entre 39 e 75 anos teve por objetivo determinar os efeitos da suplementação de probióticos na razão colesterol/triglicérides (um marcador indireto de resistência à insulina), nas toxinas urêmicas ligadas a proteínas, nos biomarcadores de inflamação e na translocação microbiana em pacientes com doença renal em estágio terminal em hemodiálise. A suplementação probiótica contendo lactobacillus em altas doses duas vezes ao dia por 6 meses não influenciou de forma significativa a razão colesterol/triglicérides, os níveis séricos de hemoglobina, de nitrogênio, glicose, p-cresil sulfato, marcadores inflamatórios e de translocação microbiana dos pacientes. Todavia, houve redução significativa nos níveis séricos de indoxil sulfato. Nenhuma mudança clinicamente significativa na composição corporal foi observada entre os dois grupos durante o período de estudo. A suplementação de probióticos foi bem tolerada por todos os indivíduos com efeitos adversos mínimos. Ou seja, os resultados do estudo sugerem que a suplementação probiótica contendo lactobacillus em altas doses por 6 meses como monoterapia não foi efetiva na diminuição dos marcadores estudados. 

Clique no link abaixo e veja o estudo completo.

Referência: Lim P.S. et al, 2020. The Efficacy of Lactobacillus-Containing Probiotic Supplementation in Hemodialysis Patients: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Trial. Journal of Renal Nutrition, Vol 31, No 2 (March), 2021: pp 189-198.

Este post tem um comentário

Deixe um comentário