Pancreatite crônica e terapia nutricional

Na avaliação da desnutrição no paciente com pancreatite crônica, a insuficiência pancreática exócrina é uma das principais causas e sempre deve ser considerada. Sintomas e sinais clínicos como diarreia, dor, distensão abdominal e cólicas durante as refeições, fezes com odor fétido e aparência gordurosa, além de perda ponderal são comuns nestes pacientes. Já a disfunção endócrina na pancreatite crônica pode resultar da produção reduzida de insulina, aumento da resistência à ação da mesma ou uma combinação de ambos. O somatório de disfunção endócrina, má absorção de nutrientes, dieta oral pobre, dor crônica, tabagismo e/ou uso de álcool, põe esses pacientes em elevado risco de apresentar grandes oscilações glicêmicas e má nutrição.

Além disso, em decorrência de quadros de esteatorreia, ingestão insuficiente e necessidades aumentadas, é comum a deficiência de micronutrientes e vitaminas, principalmente as vitaminas lipossolúveis (A, E, D e K).

Portanto, descrevemos abaixo as várias abordagens diferentes da terapia nutricional em pacientes com pancreatite crônica, sendo que a maioria dos casos pode ser tratada com alimentação oral e suplementação de enzimas pancreáticas exógenas:

  • Terapia nutricional oral: é recomendada uma dieta pobre em gorduras e fibras. Em longo prazo porém pode gerar consequências tais como a deficiência de ácidos graxos essenciais e, portanto, deve ser reavaliada constantemente. Adição de suplementos orais elementares em pacientes com pancreatite crônica também tem sido sugerida.
  • Nutrição enteral: Só deve ser considerada quando a via oral não é bem tolerada, sendo a via nasojejunal uma das mais eficazes nestes pacientes. A escolha de fórmulas com fibras deve considerar a possível interação com enzimas pancreáticas. Para o suporte nutricional prolongado (> 4-6 semanas), uma sonda de gastrostomia com uma extensão jejunal ou uma sonda jejunal pode ser colocada.
  • Nutrição Parenteral: menos de 1% dos pacientes com pancreatite crônica precisarão de nutrição parenteral. Esta via de alimentação torna-se importante em casos de estenose duodenal, fistulização complexa ou pacientes desnutridos com disfunção gastrointestinal antes de cirurgia.

Geralmente, 10% a 15% dos pacientes requerem suplementação nutricional oral e apenas 5% requer alimentação por sonda. Portanto, o manejo nutricional de pacientes com pancreatite crônica é complexo e requer uma abordagem individualizada e multidisciplinar.

FONTE: Stephen J. O’Brien e Endashaw Omer. Chronic Pancreatitis and Nutrition Therapy. Nutrition in Clinical Practice. 2021

Deixe um comentário