O impacto da coenzima Q10 em biomarcadores inflamatórios e seu papel em estratégias terapêuticas futuras

Muitas evidências disponíveis mostram que a inflamação crônica sistêmica de baixo grau é uma característica patogênica comum de várias patologias como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e doenças hepáticas não alcóolicas. Vários agentes anti-inflamatórios têm sido associados a desfechos clínicos benéficos para pacientes com essas condições.

A coenzima Q10 (CoQ10, ubiquinona-10) é uma molécula sintetizada endogenamente que atua como um importante cofator na cadeia de transporte de elétrons mitocondrial. Estudos anteriores demonstraram que a suplementação de CoQ10 pode diminuir a expressão de mRNA de IL 6 e TNF-a no fígado e diminuir os níveis de PCR circulante. A descoberta de que várias doenças crônicas se apresentam com níveis mais baixos de CoQ10 levou à possibilidade de que a suplementação de CoQ10 seria uma abordagem eficaz para melhorar ou prevenir a progressão das mesmas.

Os resultados de uma revisão narrativa que teve por objetivo discutir o impacto da suplementação de CoQ10 na inflamação em várias condições de saúde e elucidar os mecanismos potenciais por meio dos quais a CoQ10 atinge as vias inflamatórias, indicou que os indivíduos que sofrem de doenças inflamatórias apresentam melhora com protocolo de suplementação de CoQ10. De acordo com os estudos incluídos, a CoQ10 pode mediar a resposta inflamatória por dois mecanismos: 1) inibição da expressão do gene dependente de fator nuclear kappa B (NF-kB) por meio de sua forte capacidade antioxidante e; 2) indução da expressão de vários genes envolvidos na supressão da inflamação, como miR-146a e fator nuclear eritroide 2 relacionado ao fator 2 (Nrf2). Este último é  um fator anti-inflamatório que estimula a expressão de múltiplos genes antioxidantes, levando a um aumento da capacidade antioxidante celular e à diminuição da geração de espécies reativas de oxigênio prejudiciais. Além disso, também foi relatado que a administração de CoQ10 pode levar à ativação de uma resposta anti-inflamatória mediada por receptor ativado por proliferador de peroxissoma.

No entanto, esses resultados têm sido inconsistentes, levando à necessidade de estudos adicionais nos níveis pré-clínico e clínico, envolvendo um maior número de indivíduos e diferentes regimes de tratamento.

Clique no link abaixo e veja o estudo completo.

Referência: Abiri and Vafa, 2021. Impact of coenzyme Q10 on inflammatory biomarkers and its role in future therapeutic strategies. Clinical Nutrition ESPEN.

Deixe um comentário