Ponto-contraponto: Calorimetria Indireta não é necessária para a terapia nutricional ideal em doenças críticas

A calorimetria indireta (CI) é um exame que determina o gasto energético de um indivíduo frequentemente utilizado em pacientes críticos. No entanto, além de existir pouca padronização na prática e pouco consenso sobre o protocolo a ser utilizado, de não haver acordo sobre a frequência de repetição entre os testes, sua realização demanda uma equipe de profissionais bem treinados. Sem mencionar as muitas influências artificiais a serem contabilizadas, como a pressão expiratória final positiva ou o volume corrente, remédios que possam interferir no gasto energético, vazamento de volume no instrumento, perdas de volume e erros de calibração. Portanto, fica evidente que a calorimetria indireta requer alguns cuidados para sua realização e análise.

Sendo assim, a exigência de uma medida mais precisa das necessidades calóricas pode ser discutida. A Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) e a Society for Critical Care Medicine (SCCM) recomendam o uso de uma equação simples com base no peso (25 kcal/kg/dia), pois fornece uma estimativa clinicamente útil do gasto energético medida por calorimetria indireta. No entanto, é preciso atentar para algumas particularidades: a ESPEN faz recomendações distintas de acordo com o método de estimativa das necessidades energéticas utilizado: recomenda terapia nutricional isocalórica se for usada CI e adicionar nutrição parenteral suplementar (NP) à nutrição enteral quando esta for insuficiente para fornecer 100% das calorias mensuradas. Já na ausência de CI, quando uma equação baseada no peso é usada, a ESPEN indica alimentação hipocalórica, prescrevendo 70% das necessidades estimadas por equação durante a primeira semana após a admissão na UTI, adicionando NP suplementar à nutrição enteral somente após 7 dias.

Por outro lado, alguns estudos sugerem que atingir 100% dos requisitos da meta energética não é necessário para alcançar resultados equivalentes, bastando fornecer terapia nutricional precoce e dentro de um intervalo de 50% a 80% do gasto energético. Deve-se considerar, no entanto, o uso da calorimetria nas seguintes situações: quando o paciente entra na fase de recuperação da doença crítica, ou quando falha em recuperar o peso perdido ou reverter a deterioração do estado nutricional. Ainda é de utilidade no manejo contínuo de pacientes desnutridos complexos, especialmente nos sarcopênicos, com grandes feridas cirúrgicas, grandes queimaduras ou com anatomia pós-operatória alterada. Em condições clínicas sepse e falência de órgãos assim como aquelas que tornam imprecisas as equações como anasarca, amputação de membro ou extremos de IMC também deve-se realizar a calorimetria indireta.

Portanto, a prática clínica em cuidados intensivos, em alguns casos, elimina a necessidade de uma meta calórica precisa a partir de calorimetria indireta, podendo ser utilizado outros métodos mais fáceis e práticos.

Clique no link abaixo e veja o estudo completo.

Referência: McClave, S.A. and Omer, E. Point-Counterpoint: Indirect Calorimetry Is not Necessary for Optimal Nutrition Therapy in Critical Illness. 2021

Deixe um comentário