Nutrição enteral intermitente versus contínua em relação à intolerância alimentar em adultos gravemente doentes

A administração da terapia nutricional enteral pode ser intermitente ou contínua. A administração intermitente é considerada mais fisiológica e viável, pois permite mais mobilidade e mantém regular a secreção de hormônios gastrointestinais. Porém, a alimentação contínua é realizada com velocidade de infusão menor e é teoricamente mais segura em relação à intolerância alimentar. No entanto, ainda não está bem estabelecido qual destas é melhor indicada para adultos gravemente enfermos.

A diretriz da ESPEN sobre nutrição enteral clínica em pacientes com doenças críticas indicou que a alimentação intermitente aumenta o risco de diarreia em unidades de terapia intensiva. Além disso, outros autores, recentemente descobriram que a alimentação intermitente é menos interrompida por vômitos e diarreia e está associada a uma maior oferta nutricional em comparação com a alimentação contínua em pacientes adultos com doença crítica.

Diante disso, foi realizado uma busca na literatura com ensaios controlados randomizados onde foi observada: a alimentação contínua está associada a uma menor incidência geral de intolerância alimentar e de diminuição do risco de aspiração em adultos gravemente enfermos; a alimentação intermitente apresenta uma menor incidência de constipação e a maior ingestão calórica; pacientes com alto risco de intolerância alimentar devem receber alimentação contínua, e quando conseguirem tolerar gradualmente a nutrição enteral, a estratégia deve ser mudada para alimentação intermitente. Porém, vale ressaltar que mais ensaios clínicos randomizados, controlados e em grande escala de alta qualidade são essenciais para esclarecer os efeitos da alimentação intermitente e contínua na nutrição enteral em pacientes criticamente enfermos.

Clique no link abaixo e veja o estudo completo.

Referência: Ma, Y. et. al., 2021. Intermittent versus continuous enteral nutrition on feeding intolerance in critically ill adults: A meta-analysis of randomized controlled trials

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