Segurança e tolerância da nutrição enteral em pacientes graves com COVID-19

Em pacientes com COVID-19, é indicado o início precoce da nutrição enteral (NE) nas primeiras 24-48 horas após a admissão na UTI ou dentro de 12 horas após o início da  ventilação mecânica, conforme proposto pela Academia de Nutrição e Dietética (AND), Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN), Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) e Sociedade Australiana de Nutrição Parenteral e Enteral (AuSPEN).

Osuna Padillla e colaboradores (2021) realizaram um estudo retrospectivo que analisou a incidência de intolerância gastrointestinal (IG) (diarreia, vômitos, gastroparesia e constipação) associada à NE. Além disso, foi descrito sobre o aporte de energia/proteína em conjunto com as alterações bioquímicas durante a primeira semana de NE em pacientes críticos com COVID-19 recebendo ventilação mecânica. Calorias e proteínas foram prescritas de acordo com as recomendações da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) e da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN), com uma meta geral de 25kcal/kg e 1,3g/kg, respectivamente.

O estudo identificou que dos 52 pacientes avaliados, 40,3% estavam com sobrepeso e 46,2% eram obesos. As manifestações de IG observadas foram vômitos, diarreia e gastroparesia em 18 pacientes (32,4%). Das alterações eletrolíticas, a mais frequente foi hipernatremia (39%).  Apenas o diagnóstico de Lesão Renal Aguda foi associado a um maior déficit de energia no dia 7. Nenhuma associação entre prescrição de medicamentos e intolerância gastrointestinal foi observada. No dia 4, 94,5% dos pacientes recebiam mais de 80% das necessidades de energia e 94,2% das necessidades de proteínas. As interrupções da dieta por IG foram documentadas em 11 pacientes durante a primeira semana de NE.

Os autores concluem que a NE é viável e bem tolerada em pacientes graves com COVID-19 recebendo ventilação mecânica invasiva na primeira semana de intubação.  Além disso, o estudo sugere que ensaios clínicos devem ser elaborados para explorar o efeito das intervenções nutricionais no curso da infecção e nos resultados clínicos.

Referência: Osuna-Padilla, Iván et al. Safety and tolerance of enteral nutrition in COVID-19 critically ill patients, a retrospective study. Clinical Nutrition ESPEN, 2021.

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