A deficiência de Zinco no estágio inicial de COVID-19 está associada a um risco aumentado de COVID-19 grave

Aspectos nutricionais que predispõem à COVID-19 grave causada pelo vírus de síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) permanecem desconhecidos. Níveis séricos adequados de Zinco podem ser um elemento chave, já que a deficiência deste micronutriente está associada a uma maior susceptibilidade a infecções.

Um estudo que avaliou a prevalência da deficiência de Zinco na fase inicial de COVID-19, sua associação com critérios clínicos ou biológicos de gravidade em indivíduos admitidos em centros de triagem COVID-19 e seu valor prognóstico para hospitalização por complicações respiratórias em 10 dias encontrou que:

  1. A prevalência de deficiência de Zinco foi significativamente maior em pacientes COVID-19 em comparação com pacientes não COVID-19 (27,6% vs. 11,4%; p = 0,003), sendo significativamente maior em mulheres (28,2% vs. 10,0%; p < 0.001) e homens idosos (25,0% vs. 10,0%; p = 0.03);
  2. Em pacientes com COVID-19, a inflamação aumentou significativamente a prevalência de deficiência de Zinco (73,3% vs. 21,8%; p = 0,001);
  3. De acordo com estado da COVID-19, a deficiência de Zinco em pacientes com COVID-19 foi principalmente relacionada ao sexo (mais frequente em mulheres, p = 0,01) e idade avançada (mais frequente em 65 anos ou mais, p <0,05);
  4. Os pacientes com COVID-19 maiores de 65 anos e os que vivem em lares de idosos com assistência médica estavam em maior risco de deficiência de Zinco (p <0,01);
  5. Na admissão, um pior escore de risco de deterioração clínica foi observado no grupo com deficiência de Zinco (p <0,01);
  6. Uma maior frequência de hospitalização por complicações respiratórias em 10 dias foi relatada em pacientes com deficiência de Zinco em comparação com pacientes com níveis normais do mesmo nutriente (16,7% vs. 5,5%, p <0,05);
  7. Os achados laboratoriais de pacientes com COVID-19 mostraram que, em comparação com os níveis normais de Zinco, a deficiência foi associada a níveis aumentados de PCR, maior proporção de neutrófilos para linfócitos e linfopenia (p <0,001);
  8. Níveis elevados de PCR foram significativamente associados à deficiência de Zinco em comparação com os níveis normais de zinco (27,5% vs. 3,7%; p <0,001);
  9. A deficiência de Zinco foi independentemente associada à hospitalização por complicações respiratórias em 10 dias (OR=10,9, IC 95%= 2,3-51,6; p=0,002).

Concluindo, no estágio inicial do COVID-19, a prevalência de deficiência de Zinco excedeu 20% neste estudo e ela foi um preditor independente de hospitalização por complicações respiratórias em 10 dias. Isso sugere que a detecção e tratamento precoces da deficiência deste nutriente no manejo nutricional de COVID-19 é importante, especialmente em idosos. Portanto, estudos de intervenção e tratamento adjuvantes são necessários.

Clique no link abaixo e veja o estudo completo:

Referência: Fromonot et al, 2021. Hypozincemia in the early stage of COVID-19 is associated with an increased risk of severe COVID-19. Clinical Nutrition.

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